sexta-feira, 24 de junho de 2011

[...] Nesse instante a campainha tocou.

_Ai, meu Deus! - exclamei. -Já são cinco horas. É o Dean.
_Vou deixar vocês sozinhos -minha mãe prometeu.
Ela se levantou e deu um rápido apertão carinhoso nos meus ombros.
_Confie no seu coração, filhinha. Ele geralmente está no lugar certo, mesmo quando as estrelas não estão.


_Esses biscoitos são para a festa, sabe? -ralhei poucas horas mais tarde.
Dean e eu estávamos na cozinha, rodeados de assadeiras cheias de biscoitos. Primeiro, tínhamos feito biscoitos de amendoim. Depois passamos para os de aveia com passas, e tínhamos acabado de fazer várias dúzias dos de flocos de chocolate.
Dean e eu havíamos conseguido reunir uma quantidade impressionante de guloseimas. Mas toda vez que eu passava perto das assadeiras de biscoitos de flocos de chocolate que esfriavam, parecia estar faltando mais um.
_Eu não peguei nenhum -Dean insistiu. -Não sei do que você está falando.
Era difícil não rir cada vez que eu olhava para ele. Na esperança de ter meus hormônios sob controle, se Dean não parecesse tão bonito como era, eu o fizera vestir o avental de cozinha mais enfeitado com rufos e babadas que encontrara. Até aquele momento, o avental parecia ter sido uma boa ideia. Eu conseguira me concentrar em assar os biscoito, sem me deixar distrair demais pelo desejo de beijar Dean.
Mas ainda me sentia muito confusa. Meus sentimentos por Dean -tanto os bons quanto os ruins -se imiscuíam em todos os meus pensamentos. Eu podia percebê-los sempre lá no fundo, mais ou menos como o chiado da estática no rádio.
Voltei-me para a pia, para lavar a tigela. Talvez minha mãe tivesse razão. Talvez devesse usar a astrologia apenas como um guia geral. Poderia, por exemplo, aceitar que no geral os geminianos eram uma má combinação para mim, mas talvez, eu fosse capaz de fazer dar certo uma relação amorosa com um geminiano muito especial.
Dean, que estava de pé perto da mesa sobre a qual os biscoitos esfriavam, voltou-se na minha direção. Uma paisagem de xadrez azul e branco repleta de babados e pregas encheu meus olhos. Minha mãe sempre se referia ao avental que Dean estava vestindo como sua fantasia de dona de casa número um. Havia uma gota de chocolate grudada num dos cantos da boca dele.
Eu me forcei a parar de sonhar acordada e a me concentrar na conversa que Dean e eu estávamos tendo.
_Ah, quer dizer que você não comeu nenhum biscoito? -perguntei. -Então como é que esse chocolate foi parar no seu rosto?
_Não comi, juro -Dean protestou, tentando eliminar a prova do crime passando a mão na cara. -Cadê o chocolate no meu rosto?
Peguei uma toalha de papel e caminhei até ele.
_Bem aqui -respondi, esticando o braço com a toalha na direção de seu rosto.
_Ei, espere aí um minuto -Dean disse rindo.
Ele ergueu rapidamente um braço para bloquear minha mão. Tentei sem êxito atravessar a guarda dele.
Depois de vários segundos de luta pela posse da toalha de papel, Dean me empurrou gentilmente contra a bancada da pia. Com as mãos, travou meus braços atrás das costas, prendendo-os pelos pulsos.
_Se você acha que vou deixar você me atacar com essa toalha de papel encharcada, sem mais nem menos, pode tirar o cavalinho da chuva -ele disse. -Só me mostre onde está o chocolate.
Ele me deixou soltar uma mão, a que não estava segurando a toalha de papel. Coloquei a ponta do meu dedo indicador no canto de sua boca.
_Bem aqui, Dean -falei suavemente.
Nos instante em que o toquei, soube que tinha cometido um erro. Seus olhos quase abriram um buraco em mim. O rapaz amigável e boa praça que tinha sido nos últimos dias desapareceu de repente.
Os lábios de Dean começaram a se mover devagar na minha direção. Eu sabia que devia me afastar, mas estava paralisada. Um segundo depois, estávamos nos beijando.
O beijo de Dean foi ardente e possessivo -o tipo de beijo que afirma e reivindica. E esse beijo me contou em termos claríssimos como ele realmente se sentia quanto ao nosso rompimento. Soube então que, para ele, era como se a horrível cena da cantina da escola nunca tivesse acontecido. Dean ainda estava apaixonado por mim.
Eu sabia que não devia retribuir aquele beijo -não enquanto não tivesse decidido o que queria de fato. Mas parecia impossível reprimir o desejo. Minha mãe tinha me recomendado que eu ouvisse meus instintos ... e naquele exato instante meus instintos gritavam que eu queria beijar Dean.
Seus braços estavam em torno dos meus. Ele já não me prendia contra a pia, mas, em vez disso, me apertava contra seu corpo. Coloquei minha mão livre em sua nuca.
A pele estava quente, e seus cabelos, macios e sedosos. Era tão bom tocá-lo, parecia tudo tão perfeito, tão certo pra mim ... Me vi desejando que pudéssemos ficar daquele jeito para sempre. Não queria que o beijo terminasse.
Finalmente, Dean se afastou. Eu estava sem fôlego, e meu coração batia como um tambor. Ele me abraçou com força. Apertei meu rosto contra seu peito. Depois de arrancar o elástico que prendia meu rabo-de-cavalo, Dean pôs-se a pentear meus cabelos com seus dedos, fazendo-os deslizar sobre meus ombros.
_Esperei semanas para poder fazer isto -ele disse baixinho.
_O que? -consegui perguntar, não sei como. -Me beijar ou mexer no meu cabelo?
_As duas coisas.
E me beijou de novo. Dessa vez, com mais suavidade, mas não menos decisão. No fundo do meu coração, eu sabia que pertencia a Dean. E ele a mim. Pertencíamos um ao outro. Apesar da astrologia.

[ Juntos para sempre - Cameron Dokey ]

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